Há três tipos de terrorismos
I - O terrorismo dos sem ética,
fanáticos suicidas, cruéis e sanguinários.
De onde vem os seus gigantescos recursos, sua tecnologia,
seu planejamento estratégico?
E a propaganda que se faz dele? Tudo, de agora em diante,
será realização da Al Qaeda?
II - O terrorismo oficial, estatal, imperial,
legal, presente na mídia mundial e que conquista a
opinião pública malhando o primeiro mas não
fazendo autocritica de suas próprias ações
terroristas.
Eis seu 'direito' de guerra que pode movimentar recursos
públicos de contas especiais - secretas - com ou sem
aval do Legislativo e à margem do Judiciário.
Pode utilizar, em nome da segurança nacional (já
vimos esse filme aqui no Brasil não faz muito tempo)
de todas as armas táticas, limpas - como a apreensão
de documentos - ou sujas - como a escuta telefônica,
a violação de correspondência e, porque
não (?), a tortura. O General GEISEL, em depoimento
que deixou gravado para a sua triste biografia, admitiu que
a tortura pode ser válida.
Também a diplomacia vale nessa guerra, mediante acordos
militares e econômicos (faltou pouco para a Turquia
se compor economicamente na recente guerra, não é?)
A espionagem e a contra-espionagem, atuando por intermédio
da capa legal das embaixadas - vide o relato do célebre
espião alemão oriental - faz utilização
das conhecidas premiações, tais como o suborno,
o premio por cabeça, o assassinato, se necessário.
A intolerância é um subproduto desse tipo de
terrorismo. Os árabes que vivem na América estão
sendo vitimas dessa intolerância e, os suspeitos de
sempre (já há até um eixo do mal, na
sua luta demoníaca contra o bem) assim como - de certo
modo - todos nós podemos estar escondendo em nosso
cinto uma bomba suicida. Até o impecável defensor
dos direitos humanos CELSO LAFER, representante oficial de
um pais amigo - o Brasil - teve que tirar os sapatos em uma
revista. Imaginem, então, nós, os feios, sujos
e malvados latino-americanos?
O terrorismo oficial é o da "solução
final", que produziu o holocausto e, também -
não podemos nos esquecer - e Hiroshima e Nagasaki.
E também permite, sob a complacência das Nações
Unidas, o apoio dos Estados Unidos e de tutti quanti, que
nunca se chegue a um verdadeiro acordo de paz entre israelenses
e palestinos, sujeitos estes últimos a um apharteid
interno dentro de sua própria pátria.
O terrorismo oficial derruba governos com a sem cerimônia
de fazer corar de vergonha qualquer pessoa sensível.
Inclusive, se for o caso, matando em sua própria sede
governamental um presidente eleito pelo povo. Há trinta
anos faziam isso com Allende, que não era ditador nem
sanguinário e agora o fazem com um ditador e sanguinário
- Sadam - utilizando neste último caso, como no primeiro,
de falsos pretextos. É bem verdade que, relativamente
a Sadam, talvez nunca venhamos a saber se o Ás de Espadas
é, realmente, uma carta fora do baralho. Quantos Sadams
há no mundo hoje? Clones verdadeiros ou quase?
III - O terrorismo do modelo econômico
neoliberal, responsável pela pobreza, miséria
e exclusão de um bilhão de pessoas - um quinto
da humanidade - e pela condenação á morte
de milhões, vítimas da fome, das doenças,
da desnutrição.
Já morreu mais gente vitimada por esse terrorismo
do que nas duas grandes guerras. Vale a pena reler o histórico
documento da Comissão Pontifícia Justiça
e Paz "A serviço da comunidade humana: uma consideração
ética sobre a dívida externa", antigo,
mas de perene atualidade.
Em Porto Alegre (Fórum Social Mundial) não
tiveram nenhuma dúvida em denominar assassinos aos que se prostram genuflexos diante do bezerro de ouro,
em Davos.
Eis o núcleo central da discussão sobre o terrorismo.
Há uma guerra visível no Brasil e no mundo que
movimenta bilhões nas contas secretas do narcotráfico
e do dinheiro sujo produzido pela venda de armamentos ilegais;
pela impune corrupção de governantes. Na conta-petroleo
cabem, como se sabe, tanto os Cheneys como os Sadans e os
Chaves. E na conta-ouro e na conta-estanho e na conta-energia?
A solução para esse tipo de terrorismo foi
genialmente engendrada por TOBIN. Que sejam taxadas as transações
do capital volátil, que movimenta quantias suficientes
para alimentar todo o mundo em poucas horas. A Taxa Tobin
é proposta pela Cúpula do Desenvolvimento Social,
realizada em Copenhague, em Março de 1995. A Cúpula
de Halifax do G7, tomou a Tobin como ponto de referência.
Estima-se que ela seja apta a arrecadar U$ 100 bilhões
por ano e, se fosse implementada nos programas de erradicação
da fome, da pobreza e das epidemias e endemias, em breve tempo
tornaria mais próxima a civilização do
amor. |