Conscientize-se !
É legítimo um meio se constituir
em fim?
No livro de Gênesis, da Bíblia, pode ser constatado
que, quando Deus criou o céu e a terra, e tudo mais
que se descreve no capítulo 1, o ser humano só
foi ser criado depois que se fez um meio ambiente sadio e
equilibrado que pudesse abrigá-lo sobre a face da Terra.
Assim sendo, fica claro que a natureza como um todo subsiste
sem o homem, mas não o contrário.
Para os estudiosos adeptos de uma cosmovisão ecológica,
nosso útero primordial seria o Cosmos, onde numa seqüência
de explosões e intervalos temporais, “[...] as
partículas elementares, ancestrais daquelas que hoje
são as menores das menores [...], formam um caldo que
contém virtualmente as galáxias, as estrelas,
os micróbios, as árvores, os animais, os humanos[...]”.1
Boff menciona, em sua obra, a crise ecológica, em
que afirma que a Terra se encontra gravemente enferma e, para
se curar uma doença, devem-se atacar as causas e não
somente os sintomas. Nesse contexto, esclarece que somente
a comunidade humana pode curá-la.
“Antes de qualquer esforço analítico
deve-se formular inapelavelmente esta pergunta: como foi possível
chegarmos à situação atual de estado
de guerra declarado entre o ser humano e a natureza?”2.
Atribui-se essa atitude à civilização
representante do geral e que se impõe como um dos motivos
para a grande crise ecológica. “Somos indiscutivelmente
uma civilização tecnológica. Isto quer
dizer, usamos o instrumento (techne) como forma primordial
de relacionamento com a natureza. Fazemos dela e de tudo o
que há nela instrumento para o nosso propósito
de poder-dominação. O ser humano se arroga uma
posição de soberania como quem dispõe
a seu bel-prazer das coisas que estão ao alcance de
sua mão ou do prolongamento de sua mão, de seu
braço, de seu olho, de seu desejo que é o instrumento.” 3
O texto trata da ganância, a qual fez com que o homem
perdesse o respeito por aquela que é Mãe-Terra
de todos os seres vivos. A sua degradação impõe
o fim da própria existência humana. Mesmo com
leis que proíbam a ação do homem cujo
intuito é o de lesar o meio ambiente, objetivando benefícios
próprios, elas não têm sido freios suficientes.
A fim de preservar um meio ambiente saudável e equilibrado
para as presentes e futuras gerações, é
preciso que tomemos consciência de que passos decisivos
devem rumar à ética ambiental, ou seja, a uma
ética para toda a humanidade, resultado de um empenho
global, científico e interdisciplinar.
Sueli Ap. Leite Rodrigues Cesar4
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1 BOFF, Leonardo. Ecologia: Grito da Terra – Grito
dos Pobres. Rio de Janeiro: Sextante, 2004, p .68;
2 Ob. cit., p. 92.
3 Ob. cit., p. 103;
4 Sueli Ap. Leite Rodrigues César
é bacharel em Direito pela FADAP/Tupã/SP
(2003) e aluna do Curso de Especialização
em Direito Ambiental pela COGEAE – PUC/SP.
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